Natural de Cruz Alta, Clóvis Acosta Fernandes virou símbolo mundial da torcida brasileira; agora, os filhos Frank e Gustavo mantêm viva a tradição do chapéu, da taça e do amor
Na estreia do Brasil na Copa, legado do “Gaúcho da Copa” volta a emocionar o país
Publicado em 13/06/2026 10:22 • Atualizado 13/06/2026 10:44
ESPORTES

 No dia em que a Seleção Brasileira estreia na Copa do Mundo de 2026, contra o Marrocos, às 19h, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, uma história muito especial volta a ganhar força entre os torcedores: a trajetória de Clóvis Acosta Fernandes, o eterno “Gaúcho da Copa”, personagem que levou o nome do Rio Grande do Sul e de Cruz Alta para as arquibancadas do mundo inteiro. O Brasil está no Grupo C, ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia, e fará seus três jogos da primeira fase nos Estados Unidos. 

Clóvis ficou conhecido pelo bigode marcante, pelo chapéu típico, pela simpatia e pela inseparável réplica da taça da Copa do Mundo. Segundo registros biográficos recentes, o torcedor era natural de Cruz Alta e fez da paixão pela Seleção Brasileira uma missão de vida. A partir da Copa de 1990, na Itália, passou a acompanhar o Brasil nos Mundiais e se tornou uma das figuras mais reconhecidas da torcida brasileira. 

Ao longo da vida, o “Gaúcho da Copa” acompanhou a Seleção em sete Copas do Mundo, viu de perto os títulos mundiais de 1994 e 2002, participou também de Copas América, Copa das Confederações e Olimpíadas, e percorreu mais de 60 países, assistindo a mais de 150 partidas da Amarelinha. 

A imagem mais lembrada por muitos brasileiros, no entanto, veio em um momento de dor. Em 2014, após a derrota do Brasil para a Alemanha por 7 a 1, Clóvis foi fotografado chorando abraçado à réplica da taça. A cena rodou o mundo e virou um dos retratos mais marcantes daquele Mundial. Para a família, porém, aquela imagem não resume quem ele era. Os filhos sempre destacam que Clóvis era alegria, cordialidade, respeito e amor genuíno pelo futebol. 

Clóvis morreu em 2015, aos 60 anos, em Porto Alegre, vítima de câncer. Mas a história não terminou ali. Os filhos Frank Damasceno e Gustavo Fernandes decidiram seguir o caminho do pai e manter viva a presença dos “Gaúchos na Copa”. Em 2018, na Rússia, e em 2022, no Catar, eles levaram para os estádios o chapéu, a taça, o bigode e a memória do torcedor que emocionou o Brasil. 

Em 2026, a jornada ganha um novo capítulo. Frank se prepara para representar a família no décimo Mundial consecutivo da trajetória dos “Gaúchos na Copa”. Desta vez, a viagem tem um peso emocional diferente: será a primeira Copa que Frank estará sem o irmão Gustavo, que optou por permanecer no Brasil após o nascimento da filha Eva. 

Gustavo explicou que, neste Mundial, sua “taça” será a filha nos braços. Mesmo distante fisicamente dos estádios, ele segue como guardião da memória do pai e da tradição familiar. Já Frank assume a missão de levar ao país-sede os símbolos que fizeram de Clóvis uma figura mundialmente conhecida: o chapéu, a réplica da taça e a forma gaúcha, respeitosa e alegre de torcer. 

A família também mantém o projeto do Brazucamóvel, carro que acompanha essa história há décadas e que já rodou mais de 250 mil quilômetros. Para viabilizar a jornada de 2026, os filhos lançaram campanha virtual de apoio, reforçando que o legado do “Gaúcho da Copa” sempre foi construído com ajuda de amigos, torcedores e admiradores espalhados pelo mundo. 

Mais do que acompanhar jogos, a caminhada de Clóvis e dos filhos representa uma forma de torcer que carrega identidade, tradição e humanidade. O “Gaúcho da Copa” não era apenas um torcedor fantasiado nas arquibancadas. Era um brasileiro que transformou a paixão pela Seleção em ponte entre culturas, fazendo amizades em diferentes países e mostrando ao mundo a hospitalidade do povo gaúcho.

Neste sábado, quando a bola rolar para Brasil e Marrocos, a Seleção inicia mais uma busca pelo hexa. E, mesmo sem a presença física de Clóvis, a imagem dele segue viva: no chapéu levado por Frank, na taça que atravessa gerações, no bigode que virou marca registrada e na lembrança de um cruz-altense que se tornou símbolo do amor do brasileiro pela camisa amarela.

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